Clarividência
Já sabíamos do nosso desejo quando finalmente nos reencontramos, Camila e eu. Algumas vezes conversamos sobre como seria este momento, no qual, depois de anos desencontrados, nossos olhares se cruzariam novamente. Eis que chega a hora inevitável e Camila aparece diante de mim, com seus cabelos negros e seus ombros retilíneos, elegantes, mostram o porte nobre. Os lábios molhados, com um brilho mais sensual que Vênus ao nascer no prenúncio de alvorada.
A reação no meu corpo é imediata. A bomba de adrenalina explode e as mãos e os pés ficam gelados, o coração quase rasga suas fibras aumentando também o ritmo da minha respiração. Sorrio cristalino, me contendo, diante do meu querer. Ela me responde com um sorriso aberto de dentes amostra. Faz-se silêncio e sinto cada uma das batida que o coração, agora selvagem, dá no meu peito.
Os olhos percorrem os rostos reciprocamente sorvendo sedentos a imagem da paixão. Quando se encontram ela me diz: “Oi”. Alguém havia de dizer algo, começar falando o mais simples. Entretanto ali não se tratava de função fática. “Oi”, pronunciado tão docemente era uma máscara para “eu te esperei todo esse tempo e agora não me suporto diante de ti, me beija”. Continuo sem dizer nada, pois sabia desde antemão que tudo que dissesse era redução do meu desejo. Apenas dou dois passos à frente e aproximo a minha face da dela. Não havia mais palavras a serem ditas.
Os lábios de Camila da tocam os meus. Sentimos o cheiro um do outro e minha mente ficou turva de vez, sem metáforas. Não conseguia pensar em nada naquele momento. Beijamo-nos.
Hoje tenho a sensação de que aquele beijo foi um desses acontecimentos cheios de sentidos, que são como nascentes, revelando desde já, em si, o rio majestoso que se tornará. Algo determinante, se não na história da humanidade, na minha própria. E na de Camila.
***
A reação no meu corpo é imediata. A bomba de adrenalina explode e as mãos e os pés ficam gelados, o coração quase rasga suas fibras aumentando também o ritmo da minha respiração. Sorrio cristalino, me contendo, diante do meu querer. Ela me responde com um sorriso aberto de dentes amostra. Faz-se silêncio e sinto cada uma das batida que o coração, agora selvagem, dá no meu peito.
Os olhos percorrem os rostos reciprocamente sorvendo sedentos a imagem da paixão. Quando se encontram ela me diz: “Oi”. Alguém havia de dizer algo, começar falando o mais simples. Entretanto ali não se tratava de função fática. “Oi”, pronunciado tão docemente era uma máscara para “eu te esperei todo esse tempo e agora não me suporto diante de ti, me beija”. Continuo sem dizer nada, pois sabia desde antemão que tudo que dissesse era redução do meu desejo. Apenas dou dois passos à frente e aproximo a minha face da dela. Não havia mais palavras a serem ditas.
Os lábios de Camila da tocam os meus. Sentimos o cheiro um do outro e minha mente ficou turva de vez, sem metáforas. Não conseguia pensar em nada naquele momento. Beijamo-nos.
Hoje tenho a sensação de que aquele beijo foi um desses acontecimentos cheios de sentidos, que são como nascentes, revelando desde já, em si, o rio majestoso que se tornará. Algo determinante, se não na história da humanidade, na minha própria. E na de Camila.
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