segunda-feira, dezembro 13, 2004

Mito

Ele chorava sozinho no quarto da torre ou olhando as estrelas. Ela, no banheiro, se olhando nos olhos de frente para o espelho.
Do alto da torre, Ele não tinha coragem de procurá-la na casa dela. Isso o fazia sofrer. Ela dormia na varanda procurando um vulto naquela torre cheia de luzes de natal. Confundia a árvore com a sombra dele, e ficava preocupada se ele demorava.

Eis que em uma noite, ele a chamou para ir a sua torre. Precisava falar algo urgente, que não iria mudar o destino de nenhum dos dois naquele momento, mas que precisava ser dito e ouvido. Com mãos e pernas trêmulas ela foi. Correu poucos metros, porém sentia-se em um daqueles frequentes pesadelos onde o ar é tão denso que a impedia de correr. Nos sonhos, era fácil. Bastava voar. Aqui não, era necessário suportar cada passo do caminho.

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Palavras foram ditas e ouvidas. Preservemos a intimidade dos dois. Os olhos dele não encaravam os dela, e ela pedia que ele a olhasse nos olhos. Ele tinha medo de que erros se repetissem e que até as lembranças boas fossem sufocadas, porém, respirou fundo e olhou. Seus olhares se tocaram e em seguida suas faces. Suas bocas esperaram ainda alguns instantes antes que ela criasse corajem. Ele ainda hesitou, mas por fim cedeu.

E assim, novamente a Alma pode ser eterna, pois estava ao lado do seu Amor


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